Sob pressão, Morales cancela projeto de estrada


Decisão de presidente ainda deve ser referendada pelo Congresso


Morales disse que qualquer “assentamento ou ocupação” de reserva de Tipnis “será passível de expulsão com intervenção da força pública”

O presidente boliviano, Evo Morales, anunciou nesta sexta-feira que nenhuma estrada atravessará a reserva natural Tipnis, no centro da Bolívia, e que dá por encerrado o conflito com indígenas amazônicos que pediram a anulação desse projeto viário financiado pelo Brasil. A decisão presidencial de cancelar o projeto da estrada deve ser referendada pelo Congresso, onde Morales conta com maioria.

Além disso, o “Tipnis foi declarado área intangível”, segundo disse o presidente, o que reforça sua qualidade de área protegida onde não poderão ser realizados outros projetos econômicos. Morales declarou que qualquer “assentamento ou ocupação” dessa área protegida “será passível de expulsão com intervenção da força pública”.

Indígenas – O anúncio de Morales desbloqueou uma tensa situação que começou na quarta-feira, quando centenas de indígenas chegaram a La Paz à espera de um diálogo. Apesar de eles terem conseguido, ainda que sem falar com o presidente, ter sua demanda atendida, o anúncio de Morales de que “a estrada Villa Tunari-San Ignacio de Moxos ou qualquer outra não atravessará o Tipnis”, foi recebido com cautela pela liderança indígena.

“Antes de emitir julgamento temos que falar com o presidente, estabeleceremos nessa conversa as regras do jogo para dialogar e aí vamos analisar de forma conjunta. Portanto, continuam os 16 pontos (de suas demandas) em vigor”, disse Fernando Vargas, um dos líderes do protesto. “Para nós, não há nada resolvido”, completou Vargas, para quem “da fala ao ato há muito caminho a percorrer”.

Demandas – Os indígenas tinham, como principal demanda, cancelar a construção de um trecho de 177 quilômetros de estrada que passa pelo Tipnis, de um total de 306 quilômetros, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e realizado pela construtora brasileira OAS. Mas os indígenas também pedem, entre outros pontos, paralisar as atividades de hidrocarbonetos no Parque Aguaragüe (no sul do país), que fornece 80% da produção nacional de gás, e que o governo reconheça o direito dos indígenas de receberem compensações pela mitigação da emissão de gases do efeito estufa. O governo afirmou que não pode atender esses pedidos.

Fotografia: Martin Alipaz / EFE
Fonte: Veja / Agência France-Presse
Original: http://bit.ly/ncF653


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