Rolhas de cortiça estão de novo a ganhar terreno aos vedantes alternativos




As qualidades da cortiça voltam a ser consideradas. (Fotografia: Fernando Veludo / NFACTOS)

Década “traumática” começa a ser ultrapassada, mas o presidente da Corticeira Amorim acredita, agora, que o futuro do sector será seguramente mais promissor.

Depois de 10 anos “relativamente traumáticos” na fileira da cortiça, prenuncia-se um futuro “seguramente bem mais promissor”, revelou, optimista, António Rios Amorim, presidente conselho de administração da Corticeira Amorim, durante o seminário Valor dos Serviços Públicos do Montado de Sobro, realizado recentemente em Grândola.

O sector das rolhas teve de suportar um “ataque fortíssimo” de produtos alternativos – como vedantes sintéticos e cápsulas de alumínio, lembrou António Amorim. De tal forma que, em 2009/2010, Portugal detinha apenas 65% da quota mundial de produção de rolhas. Mas em 2011 já se assiste ao início da recuperação, com as vendas a representarem um peso de 68% no mercado. Mesmo assim, um desempenho que fica muito distante do registo de 1994, quando o país detinha 97% da quota de mercado de rolhas.

Os vedantes alternativos começaram a ganhar espaço nas vendas no início da década passada, mas baixaram de 18,4% em 2007, para 14,4% este ano. Os plásticos estão claramente em regressão. Os ganhadores desta batalha têm sido as cápsulas de alumínio, com um aumento crescente de quota.

Apesar do esforço do sector industrial, os seis biliões de rolhas de cortiça que são lançadas no mercado mundial nos dias de hoje são insuficientes para recuperar a posição de quase monopólio. “Temos ainda de recuperar uma parte da quota perdida para os produtos alternativos, entre 1 e 1,5 biliões de unidades”, assinala o presidente da Corticeira Amorim, convencido de que este desiderato pode ser atingido em 2012 – “se mantivermos a performance” registada em 2010, assinala.

O objectivo passa por alcançar uma melhor qualidade no fabrico das rolhas. E é aqui que entra a investigação: “Nós temos cientistas que melhoraram significativamente a performance da rolha de cortiça, e podemos dizer que já não é problema”.

António Amorim destaca o contributo que está a ser prestado pelos mesmos críticos que, em 2001, deram relevo ao funeral das rolhas de cortiça em Nova Iorque, garantindo que o seu protagonismo estava a chegar ao fim. Hoje, reconhecem que a rolha de cortiça “está a melhorar e a recuperar”, observa António Amorim. Das 100 marcas de vinhos mais vendidas nos Estados Unidos da América, “as que mais crescem são as que usam a cortiça como vedante e também aquelas que têm um preço médio mais alto”, descreve o empresário, salientando um pormenor que está a assumir uma importância progressiva: associa-se a cortiça a um vinho de qualidade e a rolha de plástico a um vinho de inferior qualidade”. A confirmá-lo está o segmento do champanhe e dos espumantes – é o que que mais cresce e o que está mais fidelizado à cortiça.

Desde 2009, as exportações de rolhas de cortiça cresceram quase 12% e, actualmente, o sector exporta cerca de 800 milhões de euros de produtos manufacturados em cortiça, com a supremacia para a rolha. O sector atingiu o seu pico de exportações no ano 2000, com uma facturação de 917 milhões de euros.

Autor: Carlos Dias
Fonte: Ecosfera – Público
Original: http://bit.ly/tiEETB


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