África do Sul e Estados Unidos pedem adiamento da entrada da aviação no EU ETS


Um evento de aviação em Genebra, na Suíça, está servindo de palanque para que países contestem a decisão da União Europeia (UE) de incluir empresas estrangeiras no seu esquema de comércio de emissões (EU ETS).

“Unilateralismo agressivo e medidas extraterritoriais não são as melhores maneiras de proceder em um mundo globalizado. O que queremos é que a UE suspenda a decisão por pelo menos dois anos, até que todas as alternativas multilaterais sejam esgotadas”, afirmou o ministro do Turismo sul-africano, Marthinus van Schalkwyk.

A proposta ganhou o apoio dos Estados Unidos, representado no evento por Julie Oettinger, da Administradora Federal da Aviação (FAA). “A Europa precisa mostrar flexibilidade para que possamos alcançar um acordo dentro da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO). Assim como precisa nos dar tempo para chegar a esse acordo.”

A UE está obrigando as companhias aéreas que utilizam os aeroportos do bloco a contabilizar suas emissões de gases do efeito estufa desde janeiro. Porém, as empresas só precisarão comprar créditos a partir de abril de 2013.

Quem também pediu novamente o adiamento da entrada da aviação no EU ETS foi a Airbus, possivelmente a empresa que mais tem sofrido com retaliações de países contrários à medida. Três estatais chinesas estão se recusando a finalizar o pedido de 45 aviões A330, uma negociação que era dada como certa e que é estimada em €9.6 bilhões. Companhias indianas, como a IndiGO, Go Air e Kingfisher Airlines, também suspenderam encomendas.

“É apavorante ver a teimosia da Comissão Europeia com relação a este assunto. Até agora, tudo o que a inclusão da aviação no mercado conseguiu foi criar conflito, retaliações e ameaças. Queremos um ano ou dois para discutir mais as alternativas, é preciso adiar o cronograma atual”, afirmou Tom Enders, presidente da Airbus.

Possibilidade de lucro

Segundo a Thomson Reuters Point Carbon, as empresas aéreas participando do EU ETS poderão guardar créditos recebidos gratuitamente em 2012 para uso futuro, o que diminuiria consideravelmente os custos para compensarem suas emissões.

O jornal The New York Times, em uma reportagem publicada nesta quinta-feira (22), vai ainda mais longe e afirma que as empresas poderão inclusive lucrar com o esquema.

Segundo a legislação europeia, mais de 80% dos créditos necessários para compensar as emissões das companhias aéreas serão distribuídos gratuitamente até o fim desta década. A medida existe para encorajar as empresas a participar do mercado de carbono.

Assim, segundo o NY Times, a companhia Emirates, por exemplo, pode obter um lucro de €1.5 milhão com a venda de seus créditos de carbono em excesso. Já a DHL Air U.K., uma unidade da companhia postal alemã Deutsche Post DHL, conseguiria em torno de €1 milhão.

Entretanto, o jornal destaca que as empresas que lucrarão são exceções.

Autor: Fabiano Ávila
Fonte: Instituto CarbonoBrasil / Agências Internacionais
Original: http://bit.ly/GRpXbJ


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