Anúncio com terrorista afasta financiadores de instituto “céptico” do clima




Imagem do Unabomber em anúncio está a alimentar polémica

Utilizar a imagem de um terrorista numa campanha publicitária está a sair caro a uma das mais importantes organizações norte-americanas que contestam a tese das alterações climáticas.

A campanha durou apenas um dia e trazia, num outdoor numa via rápida perto de Chicago, a foto do norte-americano Ted Kaczynski – o Unabomber, que matou três pessoas e feriu 23 com bombas enviadas pelo correio entre 1978 e 1995 – e uma única frase: “Eu ainda acredito nas alterações climáticas. E você?”. Resultado: várias empresas decidiram retirar o apoio financeiro que davam ao Instituto Heartland – o promotor da campanha – e alguns oradores de uma conferência da organização agendada para este mês cancelaram a sua participação.

O instituto – um “think tank” liberal, que tem sido particularmente activo contra as evidências de que a Terra está a aquecer por culpa humana – foi além da imagem do Unabomber. Um comunicado divulgado no dia em que a campanha foi lançada, a 3 de Maio, dizia que, entre os principais defensores do aquecimento global, estavam também o assassino Charles Manson, Fidel Castro (“um tirano”), Osama bin Laden e o militante ambientalista James J.Lee, que em Setembro de 2010 barricou-se com reféns na sede do canal Discovey, em Washington, e foi morto pela polícia.

“Os líderes do movimento do aquecimento global têm uma coisa em comum: estão dispostos a usar a força e a fraude para levar adiante a sua teoria marginal”, disse o presidente do Instituto Heartland, Joseph Bast, citado no comunicado.

A mensagem não foi, porém, bem aceite pelos próprios apoiantes do instituto e, logo no dia seguinte, a campanha foi cancelada. Num segundo comunicado, a organização disse que se tratara de “uma experiência”, que conseguiu resultados: atrair a atenção das pessoas. Mostrou-se ainda surpresa pelas reacções ao anúncio, “mais veementes do que quando grandes alarmistas comparam os realistas climáticos [como se intitulam os chamados “cépticos” das alterações climáticas] com os nazis ou declaram que estão a impor uma sentença de morte em massa às nossas crianças”, disse Joseph Bast.

Bast reconheceu que o outdoor não agradou a apoiantes do instituto, mas defendeu-o. “Não pedimos desculpas pelo anúncio, e vamos continuar a experimentar formas de comunicar a mensagem ‘realista’ sobre o clima”, afirmou.

Não foi, porém, o suficiente. Na última semana, várias empresas anunciaram publicamente que deixarão de financiar o instituto, incluindo grandes seguradoras, como a State Farm e a United Servises Automobile Association, e o mega-grupo internacional de bebidas Diageo.

O PÚBLICO questionou o Instituto Heartland sobre a dimensão do corte nos apoios, mas não obteve ainda resposta. Segundo o jornal britânico Guardian, as empresas que cancelaram apoios representaram 15% do orçamento do instituto no ano passado.

A campanha também terá algum impacto na sétima conferência sobre alterações climáticas que o Instituto Heartland realiza a 21 a 23 de Maio, em Chicago. O evento costuma reunir as principais vozes contra e teoria científica dominante sobre o aquecimento global, mas alguns oradores – como o economista Ross McKitrick e a blogger Donna Laframboise .

O Presidente checo Václav Klaus – também um crítico da tese do aquecimento global – mantém-se como orador principal da conferência, mas demarcou-se de campanhas “não sérias, agressivas e provocativas” como a do Instituto Heartland, segundo um porta-voz citado pelo Guardian.

Em Fevereiro passado, o instituto esteve também em foco devido a documentos internos divulgados na Internet, que revelavam detalhes da sua estratégia – incluindo um plano para introduzir, nas escolas, visões alternativas sobre as alterações climáticas – e uma lista detalhada dos seus financiadores. A divulgação dos documentos teve origem num reconhecido cientista climático, Peter Gleick, que os recebera de uma fonte anónima e se fizera passar por membro do Instituto Heartland para confirmar a sua autenticidade. Acabou, dessa forma, por receber outros documentos do instituto e os divulgou a alguns jornalistas e bloggers. Gleick posteriormente pediu desculpas e afastou-se temporariamente do Instituto Pacífico, o centro de investigação de que era co-fundador e director.

Autor: Ricardo Garcia
Fonte: Ecosfera – Público
Original: http://bit.ly/JjDKvU


FOLLOW US / SIGA-NOS:
              

Leave a Reply / Deixe um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: