Fiat confronta montadoras alemãs por causa de legislação de CO2 da UE



Propostas para enrijecer os padrões da União Europeia (UE) de emissões de carros colocaram as gigantes da indústria automobilística alemã em rota de colisão com fabricantes de veículos mais leves, incluindo a italiana Fiat

O plano da Comissão Europeia, o braço executivo da UE, é reforçar a meta de 2020 de diminuir as emissões de dióxido de carbono para uma média de 95 gramas por quilômetro (g/km).

Esperava-se que a resolução fosse publicada oficialmente no começo de julho, mas um porta-voz da comissão disse que ainda não havia data fixa.

Empresas têm se divido fortemente a respeito de como o novo padrão vinculativo, que se compara com a meta obrigatória de 2015 de 130g/km, pode ser aplicado na frota europeia.

Sergio Marchionne, presidente da Associação da Indústria Automobilística ACEA e CEO da Fiat, afirmou que a ACEA não tem sido capaz de encontrar uma posição unificada.

Como líder da Fiat, no entanto, ele declarou que apoia a proposta da comissão e entende que os alemães tenham um plano diferente, que ele espera que não tenha êxito.

“Não temos que passar o ônus para as montadoras menores”, disse ele. “Desta vez não vamos recuar.”

“Podemos continuar discutindo”, afirmou ele a repórteres na Itália no domingo.

A UE e membros da indústria declaram que as montadoras alemãs BMW, Volkswagen e Daimler têm feito lobby para um cálculo que significaria que elas teriam que dar uma contribuição menor, enquanto as fabricantes de carros pequenos, como a Renault, a Peugeot e a Fiat, teriam que ceder mais.

A Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA) não estava disponível para comentários.

Uma porta-voz da ACEA disse que o órgão estava esperando a proposta da comissão ser publicada antes de fazer comentários.

Distribuição de esforços

O argumento, conhecido como o debate da “curva de declive”, foi controverso no passado.

Em 2008, levou as negociações da cúpula da EU entre a chanceler alemã Angela Merkel e o então presidente francês Nicolas Sarkozy a criarem um acordo primário para limitar as emissões de carros.

A análise da comissão sobre a legislação proposta, vista pela Reuters, afirma que o objetivo era ser “a mais neutra possível do ponto de vista da concorrência, socialmente justa e sustentável”.

Para atingir isso, a proposta apresentava um declive de 60%, usando uma base de dados de 2009, para determinar como a redução de dióxido de carbono é distribuída, para que o custo extra de varejo fosse dividido de forma relativamente igual entre os diferentes fabricantes.

Membros da UE declaram que a indústria automobilística alemã tem feito lobby para um declive mais acentuado, baseado em cálculos ajustados.

Uma curva de 100% significaria que a BMW, por exemplo, teria custos de cerca de 3% menos comparados com a média, enquanto a Fiat, por exemplo, teria um aumento de mais de 3%, mostra a análise de impacto.

A comissão e a indústria alemã têm baseado seus cálculos no peso dos carros, o que a avaliação de impacto diz que tem sido mantido por enquanto como um parâmetro, para oferecer consistência regulatória.

Muitos afirmam que há argumentos para mudar isso no futuro, porque usar a massa dos veículos dá uma vantagem aos fabricantes de carros mais pesados. Eles tendem a dirigir por distâncias maiores do que os carros mais leves, significando que o parâmetro de massa pode não ser a forma mais eficiente de limitar as emissões.

A Associação Europeia do Alumínio, que tem interesse em carros mais leves feitos de alumínio, declarou que o “o potencial de ponderação de peso foi inexplorado” e a comissão deveria estar usando uma medida de pegada, se referindo à superfície entre as quatro rodas, em vez de o peso dos carros.

“Um carro de sete assentos deveria poder emitir mais do que um carro de dois assentos”, disse Bernard Gilmont, diretor de construção e transporte da Associação Europeia do Alumínio.

“A forma com que a regulamentação está indo, mantendo o parâmetro da massa do utilitário, não está estimulando o jeito mais simples de atingir a meta, que é reduzir as emissões dos veículos”.

Traduzido por Jéssica Lipinski

Autor: Barbara Lewis e Jennifer Clark
Fonte: Carbono Brasil / Reuters
Original: http://goo.gl/hlnaD


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