País terá 1ª planta de biocombustível de alga



A empresa austríaca SAT (See Algae Technology), fornecedora de infraestrutura para produção industrial de algas, iniciará nos primeiros meses do ano que vem a construção da planta adjacente à usina de Vitória de Santo Antão, no Recife, no primeiro projeto do mundo em escala industrial para a fabricação de biocombustível a partir de microalgas marinhas.

A expectativa da companhia, sediada em Viena, é que as operações tenham início já no quarto trimestre de 2013. A unidade terá capacidade de produção de até 1,2 milhão de litros de biodiesel de algas por ano.

A produção de combustíveis a partir de microalgas é uma aposta dos pesquisadores para as novas gerações de biocombustíveis limpos – não oriundos de fontes fósseis.

Muitos países, incluído o Brasil, debruçam-se em estudos nessa área já há algum tempo. Com rápida reprodução e boa produtividade de óleo, elas são vistas como opção plausível de alternativa ao petróleo. E ainda têm uma vantagem imbatível: não entram em conflito na disputa por terras agrícolas, questão-chave para a segurança alimentar.

Para crescer e se multiplicar, algas precisam de água (o meio onde vivem), luz (para a fotossíntese) e nutrientes, como fertilizantes e CO2. Até agora, a grande dificuldade tem sido baratear o alto custo de produção. Especulações recentes do mercado jogavam o preço do litro a R$ 20, graças ao processo de concentração, separação e secagem desses vegetais, que exigem peças caras e com alto consumo de energia.

Com as novas tecnologias apresentadas pela empresa austríaca, o preço do biocombustível na usina será similar ao do etanol de cana – entre R$ 0,80 e R$ 1 o litro, diz a SAT.

Isso porque algumas mudanças importantes foram feitas. A primeira foi trocar a produção em lagoas a céu aberto para espécies de “silos” de até cinco metros. A vantagem desse processo é que não há contaminação da produção, já que não há interferência do ambiente externo. A segunda, e mais significativa, é a melhor distribuição da iluminação para a reprodução das algas. “Nas lagoas, apenas as microalgas que estão na superfície recebem o sol. As que estão um pouco mais abaixo ficam competindo por luz e nutrientes, o que reduz a produtividade”, diz Bianchini.

O pulo do gato, diz o executivo, foi o desenvolvimento de um prisma solar que transfere a luz do sol para os reatores (silos) através de fibras óticas. Com isso, os silos são iluminados por dentro de alto a baixo. Além disso, serão ligados através de tubulações à chaminé da usina de Vitória de Santo Antão, por onde passará o CO2 gerado na queima do bagaço da cana. “O custo de energia, alto em outros processos, será zero porque nossa matéria-prima será o sol e o CO2 “.

Segundo o diretor da SAT, cerca de 50% das algas resultam em óleo para biocombustíveis e a outra metade em biomassa. Por ser proteica, essa biomassa é utilizada como substituição para a soja na alimentação de rebanhos na pecuária e na criação de peixes. Ainda segundo Bianchini, em um segundo momento a planta poderá ser utilizada também para produzir bioetanol a partir de algas geneticamente modificadas. Para isso, no entanto, ainda é preciso obter validação da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Autor: Bettina Barros
Fonte: Instituto Carbono Brasil / Ecofidelidade
Original: http://goo.gl/Di9J1


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