Corredor ecológico luso-espanhol com dois milhões de hectares candidato à Unesco




A proposta inclui algumas áreas do Parque Natural do Tejo Internacional. (Foto: Pedro Cunha)

O Oeste Ibérico, um dos maiores hotspots de biodiversidade na Europa, vai candidatar-se a Património Mundial da Unesco. Os promotores da iniciativa querem criar um corredor ecológico luso-espanhol com mais de dois milhões de hectares para o regresso do lobo, lince, águia-imperial e abutre-preto.

“A proposta abrange toda a zona do Oeste Ibérico”, disse o gabinete de imprensa do comité espanhol da UICN ao PÚBLICO. Nela está incluída toda a região fronteiriça desde Bragança a Portalegre, incluindo os parques naturais do Douro Internacional, Tejo Internacional e Serra de São Mamede, bem como a Reserva Natural da Serra da Malcata. Em Espanha fazem parte áreas protegidas como Arribes del Duero e Monfrague. No total, “esta região hispano-lusa conta com 119 áreas protegidas”, acrescenta o comité espanhol da UICN, num total de mais de dois milhões de hectares.

A moção de candidatura da região à Unesco – por iniciativa da fundação espanhola Naturaleza y Hombre (FNYH), com o apoio da Quercus e da Associação de Defesa do Património de Mértola, além de outras três organizações espanholas – foi aprovada durante o V Congresso Mundial da União Internacional da Conservação da Natureza (UICN), no início de Setembro em Jeju, na Coreia do Sul.

Aquela “é uma área com grande potencial para grandes mamíferos, como o lobo, o lince, o veado, o corço, e para grandes aves, como a águia-imperial e o abutre-preto”, disse Samuel Infante, do núcleo da Quercus de Castelo Branco. “São zonas com muito interesse do ponto de vista da conservação, com óptimas condições de habitat e alimento”, acrescentou. Com décadas de êxodo rural em direcção às cidades, os habitats têm vindo a recuperar-se gradualmente.

A Quercus foi uma das organizações que apoiaram a moção Corredores ecológicos transfronterizos en el Oeste Ibérico. “A fundação trabalha há vários anos naquela região e tem uma reserva junto à Malcata. A natureza não conhece fronteiras e temos feito vários trabalhos juntos”, explicou Samuel Infante.

O projecto insere-se na estratégia a médio e longo prazo da fundação FNYH, no âmbito dos esforços europeus em curso de rewilding, ou seja, promover as zonas abandonadas para a vida selvagem. “Os mamíferos precisam de corredores entre áreas protegidas, para se deslocarem e evitar o fragmento de populações, que ficam isoladas”, explicou. “A natureza não está fechada dentro das áreas protegidas.”

Na opinião de Samuel Infante, a candidatura à Unesco pode ajudar a valorizar o território na zona raiana e a facilitar o acesso a financiamento. Os próximos passos serão o estabelecimento de parcerias com quem está no terreno e conseguir o compromisso dos governos português e espanhol. Contactado pela Lusa, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) disse ter conhecimento da iniciativa e garantiu que se pronunciará sobre o assunto “em tempo oportuno”.

“Não se trata da proposta da classificação de um território conjunto e de forma contínua, mas sim o reconhecimento de vários núcleos com valores similares dentro deste grande ecossistema da região de fronteira”, disse à agência Lusa o presidente do comité espanhol da UICN, Carlos Sanches.

Autarcas apoiam iniciativa

Os autarcas de Idanha-a-Nova, Figueira de Castelo Rodrigo e Mogadouro, regiões transfronteiriças do Tejo e Douro, apoiam a proposta.

Armindo Jacinto, vice-presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, acredita nas potencialidades do Tejo Internacional e o município apoia “tudo o que sejam processos de valorização do património”. Mais do que “fazer já uma proposta, é preciso encontrar pessoas para trabalhar e avaliar as circunstâncias. Se daí resultar uma candidatura, muito bem, senão, já terá sido feito um trabalho altamente positivo” em termos de estudos regionais, sublinhou.

António Edmundo, presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo, município situado à beira do Douro, também apoia a proposta e destaca os trabalhos já realizados “com o Parque Natural do Douro Internacional e a Faia Brava, primeira reserva privada de Portugal”. Por outro lado, a candidatura encaixa na estratégia do município de “preservação da natureza” e de apostar no ambiente como “bandeira de desenvolvimento”.

O presidente da Câmara de Mogadouro recordou que as regiões que são classificadas por organismos como a Unesco são muito valorizadas em termos turísticos. “Esta classificação poderá traduzir-se em diversos investimentos que vão potenciar a economia regional”, disse Moraes Machado, defendendo que o processo terá de ser apoiado. O autarca, que é também presidente da Associação de Municípios de Douro Superior, advertiu que é importante não esquecer a componente humana e não pensar só nas belezas naturais”.

Notícia alterada às 13h40 acrescenta declarações do comité espanhol da UICN e de Samuel Infante.

Autor: Helena Geraldes
Fonte: Ecosfera – Público / Lusa
Original: http://goo.gl/M3Kng


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