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Uma tribo amazônica se tornou o primeiro grupo indígena na maior floresta tropical do mundo a ganhar certificação de um projeto de conservação de carbono florestal, estabelecendo potencialmente um precedente para outros grupos dependentes das florestas procurarem compensação para salvaguardar suas florestas nativas.

Hoje, a Paiter-Suruí, uma tribo com 1300 membros, anunciou que seu Projeto de Carbono Florestal Suruí foi validado tanto sob o Padrão de Carbono Verificado (VCS) quanto pelo Padrão Ouro de Clima, Comunidade e Biodiversidade (CCB), os principais padrões para creditar projetos que visam reduzir as emissões de gases do efeito estufa do desmatamento e degradação florestal, um conceito conhecido como REDD.

“Gerações futuras também têm o direito de viver, o direito de ter florestas”, disse o Cacique Almir Narayamoga Suruí, chefe da Paiter-Suruí. “Esse projeto torna possível para nós preservarmos a floresta como fornecedores de um serviço ecossistêmico.”

“Esse estudo confirma que temos o direito ao carbono, e também é uma política e um instrumento jurídico importante para reconhecer os direitos dos povos indígenas ao carbono em suas florestas remanescentes”, afirmou Narayamoga. “Isso ajuda em nosso diálogo com o governo, as empresas e outros setores, fortalecendo a autonomia de povos indígenas para gerirem nossos territórios.”

O projeto é parte de um plano mais amplo de 50 anos da Paiter-Suruí para apoiar sua cultura e administrar suas florestas enquanto aumenta a renda para a tribo. Por anos, a Paiter-Suruí lutou para combater a invasão de fazendeiros e madeireiros ilegais. A paisagem ao redor da reserva indígena tem sido em sua maioria desmatada.

Territórios indígenas cobrem mais de um quinto da Amazônia brasileira, fazendo das tribos nativas potenciais beneficiadas de programas que pagam aos proprietários para evitar o desmatamento. O projeto Suruí foi visto como um caso teste para saber se os grupos indígenas podem realmente obter benefícios reais e substanciais a partir desses programas.

O projeto estabeleceu precedentes jurídicos para reivindicações indígenas de pagamentos de carbono, serviu como um teste para sistemas avançados para medir estoques de carbono florestal, e explorou abordagens para distribuir benefícios pelas comunidades.

“Esse projeto pode ser um modelo para grupos indígenas do Brasil”, declarou Divaldo Rezende, secretário ambiental do Tocantins. “Estamos acompanhando isso bem de perto no nosso estado, e sei que outros também estão.”

De acordo com validadores de projeto, a iniciativa evitou que cerca de 205 mil toneladas de dióxido de carbono fossem emitidas na atmosfera pelo desmatamento entre 2009 e 2011. Os créditos valem provavelmente mais de US$ 1 milhão no mercado voluntario.

A Paiter-Suruí espera ganhar consideravelmente mais nos próximos 30 anos – o território deles cobre 248 mil hectares, que provavelmente seriam desmatados nas próximas décadas sem a proteção e os esforços de manejo deles.

A certificação do Projeto de Carbono Florestal Suruí é vista como um desenvolvimento positivo para apoiadores do REDD, que visam compensar os países tropicais por protegerem florestas, mas que teve um início infeliz devido a um influxo de desenvolvedores de projeto inescrupulosos em alguns países; a controvérsias sobre salvaguardas, direitos de terra, monitoramento e verificação e os tipos de projetos que se qualificam para pagamentos; e a desafios em reformar o setor florestal e complexidades de conceber os aspectos financeiros do mecanismo.

O projeto Suruí foi administrado para evitar muitas dessas armadilhas através do engajamento de stakeholders, planejamento cauteloso e o apoio de uma grande gama de organizações, incluindo a Forest Trends, Equipe de Conservação da Amazônia, Kanindé, Instituto para Conservação e Desenvolvimento sustentável do Amazonas (Idesam), Fundo de Biodiversidade Brasileira (Funbio) e Google.

Traduzido por Jéssica Lipinski

Fonte: Carbono Brasil / Mongabay
Original: http://bit.ly/IJlAON


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Novo Código Florestal pode elevar conflito agrário, diz Paulo Adario ao G1. Ele foi escolhido pela ONU como ‘Herói da Floresta’ na última semana.

Escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como “Herói da Floresta”, devido aos 15 anos de trabalho para preservar a Amazônia, o diretor do Greenpeace no Brasil, Paulo Adario, afirma que durante este período já sofreu ameaças de morte e precisou de proteção.

Segundo ele, as mortes de pessoas que lutavam pela floresta, como a irmã Dorothy Stang e o casal de extrativistas, José Cláudio Ribeiro, e sua companheira, Maria do Espírito Santo, foram momentos difíceis. Porém, Adario afirma que a violência e a impunidade ainda existem no interior da Amazônia e pode piorar.

Em entrevista ao Globo Natureza, ele criticou o “desmonte de conquistas” e bons resultados para a floresta e disse que a aprovação do Código Florestal pode elevar os conflitos. “A sociedade está aceitando isto com naturalidade”.

Confira os principais trechos da entrevista a seguir:

Desde 1995, Paulo Adario realiza expedições de pesquisa e documentação na Amazônia. (Foto: Divulgação / Greenpeace)

G1 – Quais foram os momentos mais difíceis nesses 15 anos de trabalho na Amazônia?
Paulo Adario
– Houve muitos momentos difíceis. Sofri ameaças de morte, em 2001 e 2002, que foram muito complicadas. Recebi proteção do governo brasileiro, durante 24 horas. A morte da Dorothy [Stang, missionária americana assassinada no Pará em 2005] foi outro momento duríssimo. A gente se sentiu muito tocado, porque ela estava condenada a morrer e nossa ajuda não chegou a tempo. Ia me encontrar com ela no dia que ela morreu. Foi um dia de desespero, de medo. Várias outras lideranças que eram nossos parceiros morreram, como o Dema e o Brasília. Agora, o Zé Cláudio [assassinado no Pará em 2011, junto com Maria do Espírito Santo].

G1 – Você trabalha no limite?
Adario
– O tempo todo foi sempre trabalhar no limite. Isso leva a um aprendizado sobre como manejar o risco. E isso estabelece recompensas. Em áreas madeireiras, por exemplo, me perguntam: você é o Paulo Adario, aquele que adora se amarrar na árvore? Uma vez, um madeireiro falou que ia me cortar junto com a árvore. Eu comecei a rir e disse: você vai estragar sua motosserra, porque minha cara é dura. Começamos todos a rir e pudemos dialogar. O ambientalista tem preconceito que o cara é bandido, que ele vai te matar. Já o cara pensa que você é um louco varrido, muitas vezes ele acha que você não é do Brasil, acredita que tem um discurso contra o desenvolvimento. Mas, de repente não é nada disso. Você senta e conversa. Somos todos brasileiros.

G1 – Além do senhor, José Cláudio e Maria do Espírito Santo também foram homenageados pela ONU. A irmã de Maria do Espírito Santo discursou que a Amazônia é manchada de sangue e essa mancha continua se espalhando. Ainda existe um clima de medo entre os “heróis da floresta”, inclusive os anônimos?
Adario
– Existe, principalmente nas áreas remotas da Amazônia. Hoje já está melhorando, existe uma governança crescente, o que faz você se sentir bem. Mas a violência ainda existe, porque ainda existem os mesmos problemas históricos que levam à violência. Como a disputa é resultado do avanço da expansão madeireira ou agropecuária, essas comunidades [tradicionais e povos indígenas] tendem a defender seu território e são as primeiras vítimas. Além disso, [a Amazônia] é uma área remota, distante da opinião publica. E existe a impunidade. A chance da pessoa que mata ser condenada é muito pequena. Então, vale a pena matar quem está na floresta. Os dados de violência no Pará são assustadores. Com o Código Florestal, a violência deve aumentar porque o conflito vai aumentar.


Imagem aérea da floresta amazônica. Para Adario, mudança no Código Florestal pode aumentar a violência na floresta. (Foto: Divulgação/UEA)

G1 – Quais são as maiores ameaças à Amazônia hoje?
Adario
– Está havendo um processo de desmonte de conquistas que estavam dando resultados muito bons para o Brasil e para a floresta. Uma série de legislações foi colocada em funcionamento, além do próprio Código Florestal, como o projeto pelo qual o Senado evoca para si a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas. Outra grande ameaça é o aumento da ilegalidade na extração madeireira. Além disso, o agronegócio brasileiro ficou mais sofisticado do ponto de vista operacional, tomou comissões de meio ambiente do Congresso. E a sociedade está aceitando com naturalidade.

G1 – E quais foram as melhores notícias sobre a Amazônia nesses últimos 15 anos?
Adario
– São várias. Uma delas é que a sociedade civil passou a ter acesso a sistemas de monitoramento do desmatamento. Antes, o INPE [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] era uma caixa preta. Isso também ajudou a mídia brasileira a ficar muito mais consciente sobre o desmatamento, o tamanho do impacto, suas causas. Outras coisas positivas são o aumento da consciência dos setores empresariais, a criação de áreas protegidas e a demarcação de áreas indígenas, a melhoria da articulação entre grupos locais e lideranças comunitárias com os governos.

G1 – Ao receber o prêmio, o senhor disse “occupy Rio”. Há uma conexão entre os movimentos “occupy” e a pauta ambiental a ser tratada na Rio+20?
Adario
– O “occupy Rio” saiu na hora do discurso, não foi previsto. Mas acho que é isso mesmo. Os governos estão muito pouco envolvidos com o processo da Rio+20. Há um desânimo geral, ninguém está nem aí, porque o foco é a crise econômica. Então, não existe ainda uma mobilização suficiente para que a Rio+20 seja um sucesso. A gente tem que trazer as pessoas para a rua, levá-las para o Rio, para que digam aos governantes que eles sabem o que tem que ser feito e que elas estão lá para cobrar. Essa é a única maneira de levar importantes líderes mundiais para o Rio e de fazer com que eles levem a sério a agenda da reunião.

G1 – Em outro momento do seu discurso, o senhor falou que os governos sabem o que precisa ser feito, mas falta força e liderança. O que é preciso para que isso ocorra?
Adario
– Falta uma decisão coletiva. Cada país empurra o problema para o outro. Está faltando uma compreensão dos governos de que vivemos em uma comunidade global. Também faltam decisões concretas para priorizar medidas e recursos sustentáveis. É preciso parar de colocar dinheiro em energia nuclear e em carvão e investir em energias limpas.

Autor: Amanda Rossi
Fonte: Globo Natureza
Original: http://glo.bo/xDwa8u


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A companhia informou que a reserva, localizada no Município de Coari, a 25 km da província petrolífera de Urucu, indicou capacidade de produção diária de 1.400 barris


Plataforma petrolífera da Petrobras em alto mar. (Fotografia: Divulgação)

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira a descoberta de uma nova acumulação de óleo e gás na Bacia do Solimões, no Amazonas.

Em comunicado ao mercado, a companhia informou que a reserva, localizada no Município de Coari, a 25 km da província petrolífera de Urucu (AM), indicou capacidade de produção diária de 1.400 barris de óleo de boa qualidade (41º API) e 45 mil m3 de gás, na Formação Juruá.

O poço foi perfurado a uma profundidade final de 3.295 metros.

“Este é o segundo sucesso exploratório no Bloco SOL-T-171, onde já está em andamento, desde 2010, o Plano de Avaliação da Descoberta do poço 1-BRSA-769-AM, informalmente conhecido como Igarapé Chibata”, afirmou a Petrobras.

Segundo a companhia, confirmada a viabilidade econômica das descobertas, elas viabilizarão a criação de um novo polo produtor de petróleo e gás natural na Bacia do Solimões.

A empresa detém 100 por cento dos direitos de exploração e produção na concessão. A companhia produz diariamente no Amazonas 53 mil barris de óleo e 11 milhões de m3 de gás natural além de 1,3 mil toneladas de GLP.

Fonte: Exame / Reuters
Original: http://bit.ly/yv7Ajb


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Área equivale 11 vezes o tamanho do arquipélago de Fernando de Noronha. Dados do sistema Deter são dos meses de novembro e dezembro de 2011.

A Amazônia perdeu 207,59 km² da cobertura vegetal nos meses de novembro e dezembro de 2011, segundo dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

A área equivale a 11 vezes e meia o tamanho do arquipélago de Fernando de Noronha (PE).

As informações do sistema de detecção do desmatamento em tempo real (o Deter), que utiliza imagens de satélite para o monitorar a Amazônia Legal, que compreende nove estados, mostraram que em novembro foram desmatados 133 km² de floresta, enquanto que em dezembro a área derrubada equivale a de 74,59 km².

O número foi 54% maior à quantidade registrada no mesmo período de 2010. Entretanto, segundo o próprio Inpe, no ano retrasado a cobertura de nuvens atrapalhou mais o sensoriamento remoto em ambos os meses, tanto que em dezembro daquele ano apenas 26% da floresta foi analisada. Já em 2011, a cobertura de nuvens foi menos intensa e possibilitou verificar mais regiões.

De acordo com o Deter, no bimestre o estado que mais desmatou foi o Pará (58,56 km²), seguido do Mato Grosso (53,81 km²).

Prodes

Em dezembro, o Inpe divulgou dados do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que analisa o desmate no bioma ao longo de 12 meses e constatou queda de 11% na devastação da floresta.

Entre agosto de 2010 e julho de 2011 a Amazônia Legal perdeu 6.238 km² de sua cobertura, número inferior aos 7 mil km² referente ao período de agosto de 2009 a julho de 2010. Essa é a menor área desmatada no período desde que o monitoramento foi iniciado na região, em 1988, informou o Inpe.

Fonte: Globo Natureza
Original: http://glo.bo/xI1UvX


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Apenas 9% de R$ 830 milhões arrecadados pelo BNDES foram repassados. Imprensa da Noruega, principal doadora, questiona aplicação de recursos.

Um dos principais protagonistas no debate global na área ambiental, o Brasil tem frustrado a expectativa dos doadores do Fundo Amazônia, criado em 2008 para financiar iniciativas de proteção florestal no país com recursos provenientes de países desenvolvidos.

Desde 2009, o Fundo Amazônia, gerido pelo Banco do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), já recebeu cerca de R$ 830 milhões em doações, mas desembolsou apenas cerca de R$ 70 milhões até agora para financiar 23 projetos aprovados e contratados. Foram contratados, nesse mesmo período, R$ 260 milhões.

Esse desempenho abaixo da expectativa tem como consequência direta o enfraquecimento do discurso brasileiro nos fóruns multilaterais, já que o Brasil sempre defendeu que a preservação das riquezas naturais nos países em desenvolvimento deve ser financiada pelas nações ricas.

Além disso, o principal doador do Fundo, a Noruega, já se sente desconfortável com a situação. Uma fonte do governo norueguês disse à Reuters que já há questionamentos na imprensa daquele país e na sociedade sobre a aplicabilidade dos recursos doados ao Brasil.

A Noruega se comprometeu a doar US$ 1 bilhão para o Fundo Amazônia e até agora já assinou contratos com o BNDES no valor de US$ 418 milhões. Esses recursos estão disponíveis para o Fundo Amazônia e ficam depositados no Banco Central da Noruega.

O BNDES disse, por meio da assessoria, que desconhece essa avaliação negativa do governo da Noruega.


Área de floresta amazônica no Pará. Verba do Fundo Amazônia, criado em 2008, seria destinada para projetos que combatem o desmatamento e de educação da população ribeirinha (Foto: Divulgação/Grayton Toledo/Governo do Amapá)

Dificuldades
Qualquer projeto com foco na preservação ambiental pode captar junto ao BNDES, mas a burocracia imposta pelo banco nos últimos três anos tem tornado a aplicação desse dinheiro uma “epopeia”, como descreveu o diretor do Museu da Amazônia, Ênio Candotti.

O projeto de implantação do museu foi aprovado pelo BNDES e já recebeu R$ 2,4 milhões do Fundo depois de uma longa espera que durou um ano e meio aproximadamente. Um problema na legalização da propriedade que é usada pelo museu atrasou ainda mais o acesso aos recursos.

“É muito mais fácil conseguir crédito para gado ou soja, do que investir em óleo de copaíba, por exemplo. A floresta em pé tem que valer mais do que áreas sem floresta. Esse é o segredo”, afirmou Candotti.

Para os noruegueses, o Fundo está explorando poucas possibilidades de financiamento, já que não há restrições para que órgãos federais ou empresas privadas tenham acesso aos recursos.

Na avaliação da fonte do governo nórdico, que pediu para não ter seu nome revelado, apenas com projetos de Organizações Não-Governamentais (ONGs) ou das secretarias de meio ambiente estaduais, os recursos doados não serão usados até 2015, como pretende o governo norueguês.

Além da Noruega, a Alemanha fez uma doação ao Fundo de US$ 27,2 milhões e a Petrobras doou US$ 4,2 milhões.

Sem repasses

A principal preocupação da Noruega é que entre 2010 e 2011 o valor contratado pelo BNDES caiu para menos da metade, enquanto os valores doados pelo país subiram. Em 2010, o banco fechou oito contratos num montante de aproximadamente R$ 166,2 milhões. No ano passado, foram 11 contratos assinados, que somados não chegam nem a R$ 55 milhões.

Esse quadro tem desestimulado novas doações estrangeiras, segundo relato dessa fonte norueguesa. Outros países têm perguntado sobre a aplicação dos recursos e ouvido que está aquém da esperada.

O diretor do departamento da Política de Controle do Desmatamento, Mauro Pires, que responde pelo Fundo Amazônia no Ministério do Meio Ambiente, admitiu que o Fundo não está funcionando como se esperava.

“A gente queria que estivesse mais acelerado, com mais abrangência”, disse, acrescentando que o governo e o BNDES estão aprendendo com o processo e que esse Fundo é uma novidade e ainda precisa ser calibrado.

No final do ano passado, o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA) deliberou sobre mudanças para agilizar a liberação de recursos do Fundo e pediu prioridade aos projetos que estimulem arranjos produtivos sustentáveis na Amazônia Legal e propostas que facilitem regularização fundiária no país. “Estamos trabalhando para construir projetos que atinjam o coração do desmatamento”, argumentou Pires. O banco também reconheceu a necessidade de aperfeiçoar seus processos na gestão do Fundo.

“Embora tenhamos conseguido selecionar e apoiar diversos projetos de excelente qualidade, uma grande quantidade dos planos apresentados ao BNDES não se enquadrava nas políticas operacionais e nas exigências necessárias para que o banco pudesse apoiá-los”, afirmou a instituição por meio de nota.

Entraves

A burocracia do BNDES para liberar os recursos do Fundo Amazônia também impacta negativamente na execução dos projetos, como revelou uma das coordenadoras da Nova Cartografia Social da Amazônia, Erika Nakazono.

Ela contou que o projeto foi apresentado em outubro 2009 e só aprovado em maio de 2011, depois de muitas reuniões entre os pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas e os técnicos do banco, que pediram inúmeras mudanças na proposta apresentada.

Erika disse que alguns pesquisadores abandonaram o projeto pela demora na aprovação, e que parte da proposta, que prevê mapear 27 comunidades tradicionais do Bioma Amazônia, não pôde ser realizada porque o BNDES impede repasses aos moradores.

“Com certeza essa burocracia é muito difícil. Teve um momento que questionamos tanto esforço”, lamentou.

Fonte: Globo Natureza / Reuters
Original: http://glo.bo/AuGivd


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O governo e o setor privado inauguraram novo ciclo de desenvolvimento e ocupação da Amazônia Legal, que tem 24,4 milhões de habitantes e representa só 8% do PIB, informam Julio Wiziack e Agnaldo Brito. A reportagem está disponível para assinantes da Folha e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

O pacote de investimentos planejado para os nove Estados da região até 2020 já soma R$ 212 bilhões, segundo levantamento feito pela Folha com base no PAC e nos principais projetos privados em andamento.

O setor elétrico é a força motriz da onda de investimento. As principais hidrelétricas planejadas pela União serão instaladas na região, que, até 2020, responderá por 45% do aumento da oferta de energia.

O avanço sobre a Amazônia Legal provoca controvérsias entre ambientalistas, que apontam um modelo de desenvolvimento não sustentável.

Leia a reportagem completa na Folha deste domingo, que já está nas bancas.

Autor: Julio Wiziack e Agnaldo Brito
Fonte: Folha
Original: http://bit.ly/n5kBHl


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Estudo analisou dados de satélite e identificou as regiões mais sensíveis à influência humana e à alteração dos regimes de chuva


O desmatamento na região amazônica e a falta de chuvas poderá transformar, permanentemente, parte da floresta em savana

A floresta amazônica e outras regiões tropicais poderão sofrer alterações abruptas por causa das mudanças climáticas, passando de florestas densas a savanas, e de savanas a estados com total ausência de árvores, segundo estudo realizado por cientistas da Universidade de Wageningen, Holanda, e publicado no periódico Science.

A equipe da cientista brasileira Marina Hirota mostra a fragilidade de florestas tropicais e savanas em função da quantidade de cobertura arbórea e de chuvas em três continentes: África, Austrália e América do Sul. Dentre as áreas mais sensíveis está a região amazônica. Os autores utilizaram os resultados dessas relações para prever onde florestas e savanas são mais vulneráveis a mudanças nos regimes de chuva.

De acordo com a pesquisa, o sul da Amazônia, conhecido como “arco do desmatamento”, por causa da pressão que a ocupação humana exerce na região, poderá deixar de ser floresta para se transformar permanentemente em savana. A região é afetada pela constante remoção ilegal de árvores. A transformação, sugere o estudo, é potencializada por causa das mudanças climáticas.

De acordo com a pesquisa, a vegetação mundial se alterna entre três tipos: florestas, savanas e estados com ausência de árvores, com picos de aproximadamente 80%, 20%, e menos de 5% de cobertura arbórea, respectivamente. “Nossa teoria afirma que as florestas podem se transformar diretamente em uma savana, o que chamamos de tipping points, ou pontos de inflexão do sistema. Quando isso acontece, geralmente não há mais volta”, diz Marten Scheffer, um dos autores da pesquisa. “Ficamos surpresos com a maneira como os dados apoiaram essa teoria dos estados alternativos.”

Irreversível – O estudo também mostra os lugares do planeta onde há potencialmente os maiores riscos de colapso e as maiores oportunidades de recuperação da floresta. “Conforme um sistema se aproxima de um ‘tipping point’, ele se torna altamente vulnerável”, diz Scheffer. “Perturbações relativamente pequenas, tais como um ano ligeiramente mais seco ou um desmatamento de pequena escala, podem disparar um transição crítica para outro estado de equilíbrio”.

Mas existe uma possibilidade de reverter o processo. Os resultados revelam que locais sem nenhuma cobertura arbórea poderiam se tornar savanas, por exemplo, por meio de técnicas de manejo. “A cobertura arbórea é um dos aspectos que mais definem a paisagem dos ecossistemas”, diz Milena Holmgren, uma das autoras do estudo e especialista em ecologia vegetal. “No entanto, é surpreendente quão pouco entendemos as condições que determinam a existência de florestas, savanas ou desertos”.

A especialista explica que o volume das chuvas é um dos poucos fatores conhecidos. “Desertos são encontrados em lugares mais secos e as florestas em lugares mais úmidos. Entretanto, o que ocorre em condições intermediárias vem sendo debatido por muito tempo”.

Amazônia – Um dos maiores desafios dos cientistas que estudam a região amazônica é compreender os potenciais impactos das mudanças climáticas na floresta. “Nosso estudo mostra que a floresta é mais vulnerável climaticamente em áreas em que a interferência humana negativa é muito alta”, explica a pesquisadora Marina Hirota.

Ela se uniu à equipe de Wageningen após finalizar seus estudos no Brasil sobre a fragilidade da Amazônia associada às mudanças climáticas. “Esse tipo de informação pode ser utilizada em tomada de decisões, a partir da avaliação dos riscos e das oportunidades ligadas aos ecossistemas tropicais que ainda cobrem grandes porções do nosso planeta”.

Autor: Marco Túlio Pires
Fotografia: iStockphoto
Fonte: Veja
Original: http://bit.ly/roRGwb


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